Lucília Gago, a procuradora-geral da República, deu ontem a 1ª entrevista do seu mandato de 6 anos, que está a terminar. Desta vez a entrevista semanal de Vítor Gonçalves foi em horário nobre e na RTP1.
A procuradora disse não se sentir responsável pela demissão do primeiro-ministro e negou a acusações de “golpe de Estado” que surgiram. Quanto às palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, que considerou “maquiavélico” a coincidência de datas na abertura de inquéritos da Operação Influencer e do caso das gémeas luso-brasileiras, Lucília Gago não escondeu algum desconforto, tendo ficado perplexa e surpresa.
Em relação à investigação às acusações de corrupção dentro do Governo da Madeira, que conduziu à demissão do governo regional e do presidente da Câmara Municipal do Funchal e levou a que 3 arguidos estivessem detidos 22 dias, depois libertados por decisão do juiz, por “não haver matéria para declarar a sua prisão preventiva”, lamentou o que aconteceu, acrescentando que não é normal.
Em relação às escutas durante anos, a procuradora reconheceu que “não é desejável nem comum” e que este tipo de situações só é possível porque "se entendeu que era muito relevante” continuar com as escutas.
Atacou os oficiais de Justiça por causa das greves e a ministra da justiça, por ter dito que o próximo PGR deve “por a casa em ordem”, tendo ficado "incrédula e até perplexa" depois de ouvir as declarações "uma vez e outra vez".
Nunca pensou apresentar a demissão. Será que vai ser demitida depois desta entrevista
