Milhares desceram ontem a Avenida da Liberdade para comemorar os 50 anos da Revolução dos Cravos. Tive pena de não ter ido mas na 4ª feira à tarde vim para a aldeia.
No CCB estiveram os chefes de Estado de Angola, João Lourenço, de Cabo Verde, José Maria Neves, da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, de Moçambique, Filipe Nyusi, de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, e de Timor-Leste, José Ramos-Horta, numa cerimónia
O tema das restituições e indemnizações às ex-colónias portuguesas, que voltou à ribalta por Marcelo Rebelo de Sousa no jantar de 3ª feira com os jornalistas estrangeiros, não foi falado pelos chefes de estado dos PALOP's.
João Lourenço foi recebido com protestos à entrada do CCB, disse que os 2 povos estavam unidos na mesma luta contra o regime - “Enquanto o povo português lutava, nós, os povos africanos colonizados, lutávamos desde o século XV contra a escravatura e pilhagens das nossas riquezas. Lutávamos contra os abusos do regime colonialista contra os nossos povos durante séculos seres humanos com o mesmo direito à liberdade".
O chefe de estado cabo-verdiano lembrou Amilcar Cabral, cujo centenário do nascimento se comemora este ano, dizendo que "com a revolução dos cravos, inaugurou-se uma nova era, muito na linha do sonho de Amílcar Cabral", acrescentando ainda que "Se nos países desenvolvidos tal quadro tem possibilitado o alastramento do populismo, do nacionalismo, da xenofobia, do racismo, do repúdio a imigrantes, e adubado a crise dos partidos políticos, a pregação da antipolítica e do antiliberalismo, bem como de teses negacionistas, a disseminação de 'fake news' e do discurso do ódio, nos países pobres, onde as instituições são mais débeis, tem resultado em ruturas constitucionais e na assunção do poder pelos militares".
O líder são tomense salientou que se comemora "um evento marcante que transcende e ressoa profundamente na consciência coletiva de muitas nações" e lembrou as "vitimas do regime ditatorial que, com o seu inconformismo revolucionário, foram capazes de legar-nos o bem maior que é a liberdade e a vivência em democracia".
Ramos Horta lembrou que "Os portugueses souberam reagir às mudanças sem ódio nem vinganças, sem fuzilamentos, sem guerra civil, aceitaram as independências e lutaram connosco pelo longínquo Timor".
Filipe Nyusi referiu que “É preciso que nas nossas escolas, em Portugal e nos países da lusofonia ensinemos a verdade: o 25 de Abril foi construído em Portugal, em Angola, em Moçambique, em São Tomé e Príncipe, na Guiné-Bissau e em Cabo Verde. A nossa presença nesta efeméride é um tributo merecido aos heróis da luta anticolonialista e aos jovens capitães portugueses que a 25 de Abril puseram fim a um regime que subjugava os nossos povos”.
O líder da Guiné Bissau lembrou que quando se deu o 25 de Abril, o "povo guineense em luta - dirigido pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) de Amílcar Cabral - já tinha proclamado unilateralmente a sua própria independência nacional, o seu próprio Estado" e este "evento histórico relevante" em 24 de Setembro de 1973, foi reconhecido "por uma larga maioria" dos membros da ONU.
Há 1 ano aqui na Espuma dos Dias