Kofi Annan, antigo secretário geral das Nações Unidas, anunciou ontem que vai demitir-se das funções de emissário da ONU e da Liga Árabe para a Síria. Agora todos lamentam a demissão de Kofi Annam. Em Abril Annam apresentou um plano de paz para a Síria que, apesar de contar com o apoio das partes envolvidas, acabou por ser sempre ignorado. Esse acordo previa, entre outros pontos, o fim da violência, com a entrada em vigor de um cessar-fogo sob supervisão da ONU, o início do diálogo político, o encaminhamento de ajuda humanitária para as zonas de combate e o fim das detenções arbitrárias.
As divisões na comunidade internacional são as grandes responsáveis pela continuação do conflito que já dura há 17 meses, quando se realizaram os primeiros protestos pacíficos contra o presidente sírio Bashar al Assad. Uns apoiam a Síria, como é o caso da Rússia, outros estão do lado da oposição, como é o caso dos EUA. As esperanças para que o conflito termine são cada vez mais escassas.
Só ontem pelo menos 60 pessoas morreram, a maioria nos subúrbios de Damasco, em confrontos entre as tropas do regime e os opositores, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos. Segundo a mesma organização, mais de 20 mil pessoas, incluindo quase 14 mil civis, já foram mortas em actos de violência na Síria desde o início da revolta em Março de 2011. A FAO (organização da ONU para a Alimentação e Agricultura) anunciou que 3 milhões de sírios necessitam com urgência de ajuda alimentar.
Há 1 ano aqui na Espuma dos Dias.