A Espuma dos Dias no Sapo

Sad day for the country

Em 1970, as advogadas recém graduadas da Faculdade de Direito da Universidade do Texas, Linda Coffee e Sarah Weddington, abriram um processo no Texas para representar Norma Leah Nelson McCorvey (22 de setembro de 1947 - 18 de fevereiro de 2017), também conhecida pelo pseudónimo Jane Roe. McCorvey argumentava que tinha engravidado após ter sido violado em 1969.


O procurador de Dallas,  Henry Wade, representava o Estado do Texas, que se opunha a legalização do aborto. O Tribunal decidiu a favor de Jane Roe, porém recusou-se a mudar a legislação para legalização do aborto. Houve vários recursos, tendo o caso chegado ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos. A 22 de Janeiro de 1973, o Supremo (7 contra 2) decidiu que a mulher, amparada no direito à privacidade, sob a cláusula do devido processo legal da décima quarta emenda, podia decidir por si mesma a continuidade ou não da gravidez.


Jane Roe acabou por ter a criança enquanto o caso ainda não tinha sido decidido. O bebé foi encaminhado para adopção.


Ontem o Supremo Tribunal (6 contra 3) revogou a proteção do direito ao aborto que vigorava no país desde 1973, conhecida como Roe vs. Wade. Deste modo, cada Estado federal passa a poder autorizar ou não o aborto, numa decisão que é  um gigantesco retrocesso nos direitos das mulheres e uma vitória da direita religiosa ultra conservadora.


Logo depois de conhecida a decisão, manifestantes pró e antiaborto começaram a concentrar-se em frente ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos, em Washington. O presidente Joe Biden também reagiu, considerando que ontem foi "um dia triste para o Supremo Tribunal e para o país". A presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, acusou o Supremo Tribunal de radicalismo e de pôr em causa a saúde do povo americano. O ex-presidente, Barack Obama, acusou o Supremo de ter "atacado as liberdades fundamentais de milhões de americanas. Já o vice-presidente de Donald Trump, Mike Pence, considera que "hoje, a vida venceu".


Vários Estados norte americanos podem agora endurecer a legislação, aplicando penas mais pesadas para quem recorra a um aborto.



 


Há 1 ano aqui na Espuma dos Dias.

0