A Espuma dos Dias no Sapo

Hora a hora

Tudo começou no dia 3 de Outubro de 1910. O regime monárquico acabou por cair sem grande resistência mas a revolta quase que fracassou. Já lá vão 100 anos.



Ficam aqui algumas das horas marcantes:


- 3 de Outubro às 12h: Corre a notícia de que Miguel Bombarda tinha sido vítima de atentado. Agitação de republicanos na Baixa de Lisboa.


- entre 20h30 e as 22h30: Reunião de líderes republicanos num 3º andar da Rua da Esperança confirma o arranque da insurreição militar à 1h da manhã do dia 4. Dom Manuel começa a jantar com o Presidente da República do Brasil no Palácio de Belém.


- às 24h: Os líderes republicanos juntam-se no estabelecimento de banhos de São Paulo, à espera da revolta.


- 4 de Outubro à 1h: Oficiais e sargentos republicanos, com o apoio de alguns civis, sublevam os regimentos de infantaria 16, em Campo de Ourique, e de Artilharia 1, em Campolide, o quartel da marinha, Alcântara, e os cruzadores São Rafael e Adamastor, fundeados diante do Terreiro do Paço. A revolução, porém falhou em todos os outros quartéis e no maior dos navios de guerra, o Dom Carlos.


- entre a 1h e as 3h: As tentativas dos militares rebeldes avançar sobre o palácio real das Necessidades fracassam.


- entre as 3h e as 4h: Cerca de 300 militares dos regimentos da Infantaria 16 e Artilharia 1, acompanhados por 200 civis, acampam na Rotunda ao alto da Avenida da Liberdade.


- entre as 6h e as 6h30: O almirante Cândido dos Reis, chefe militar máximo da insurreição, suicida-se, perante o desastre da revolta. Os chefes republicanos dispersam-se e escondem-se.


- entre as 8h e as 9h: Convencidos de que tudo estava perdido, os oficiais do exército a abandonam a Rotunda. O comissário naval Machado Santos, com 9 sargentos e cerca de 200 soldados, decide ficar "custe o que custar". O mesmo fazem os tenentes da armada suvlevados no quartel de Alcântara e nos navios.


- às 12h: O São Rafael e o Adamastor fazem fogo sobre o palácio das Necessidades. O governo manda o Rei sair de Lisboa e ir para Mafra.


- entre as 13h e as 16h: Primeiro bombardeamento contra a Rotunda por uma força da artilharia comandada pelo capitão Paiva Couceiro. Machado dos Santos resiste.


- às 17h: O São Rafael faz fogo sobre o Terreiro do Paço e o Rossio.


- entre as 19h30 e as 21h30: O tenente José Carlos da Maia, num pequeno rebocador da alfândega, toma de assalto o Dom Carlos. Todos os navios de guerra são agora republicanos.


- às 24h: O governo sai do quartel-general do Rossio, onde está a maior parte das forças fiéis, e perde o contacto com o comando militar em Lisboa.


- 5 de Outubro entre as 5h e as 7h: Segundo bombardeamento de Paiva Couceiro à Rotunda.


- às 7h: Cessar-fogo, pedido pelo encarregado de negócios da Alemanha para fazer sair estrangeiros de Lisboa.


- às 8h30: Machado dos Santos desce a avenida à frente de uma multidão até ao quartel-general no Rossio, onde o comando militar desiste de lutar.


- às 9h: À varanda dos paços do concelho, José Relvas, membro do directório do Partido Republicano, proclama a República.


- às 16h: Na Ericeira, a família real embarca no iate Amália, em direcção a Gibraltar.


 


Fonte: Revista Sábado de 23 de Setembro.

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